Sobre o Cemitério
Um lugar de respeito e serenidade, onde memórias são preservadas com dignidade e paz.
A História do Cemitério Piedade
No passado, era comum enterrar os mortos dentro das igrejas ou ao redor delas, pois acreditava-se que isso garantiria proteção espiritual. Essa prática vinha desde a Idade Média e também acontecia na Bahia.
Em Feira de Santana, registros mostram que, entre 1885 e 1886, a maioria dos falecidos foi enterrada no cemitério, mas ainda havia quem fosse sepultado dentro da Igreja Matriz.
Na segunda metade do século XIX, Feira de Santana passava por mudanças para se tornar uma cidade mais moderna. Isso incluía transformar hábitos antigos, como o enterro dentro das igrejas, e melhorar a organização urbana. No entanto, as melhorias nem sempre eram focadas na qualidade de vida da população, mas sim em interesses políticos e econômicos da elite.
Inicialmente denominado Cemitério da Santa Casa da Misericórdia, a antiga necrópole situada no terreno da Fazenda Cerca das Pedras fazia parte de uma doação feita pelo governo da Província da Bahia à Irmandade, no ano de 1860. No entanto, a posse definitiva do cemitério só foi concedida em novembro de 1864, quando a Irmandade assumiu oficialmente sua gestão.
Revestido de todas essas particularidades históricas, o Cemitério Piedade, como bem cultural que aglutina diferentes temporalidades e memórias sobrepostas, constitui-se como um verdadeiro conjunto de obras representativas da arte funerária. Essas obras traduzem expressivamente preferências estéticas de épocas distintas, contribuindo para a constituição da memória coletiva.

A criação do Cemitério Piedade não foi apenas por preocupação com a saúde pública, mas também fazia parte desse projeto de modernização. As elites queriam que a cidade fosse vista como um importante centro comercial e, por isso, adotavam medidas que ajudavam o comércio e afastavam práticas consideradas ultrapassadas.
Na época, o medo das epidemias, como o cólera, também influenciou essa mudança. O governo comprou um cemitério que ficava na antiga Fazenda Cerca das Pedras e o transferiu para a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, responsável por cuidar dos enterros seguindo normas sanitárias e religiosas.
Mesmo sendo uma cidade com fortes raízes católicas, Feira de Santana aceitou a transferência dos enterros para o cemitério sem grandes conflitos, diferente de Salvador, onde houve protestos contra a proibição dos sepultamentos dentro das igrejas.
A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, além de administrar o cemitério, também ajudava os pobres e doentes, reforçando valores cristãos. No entanto, essa caridade muitas vezes beneficiava apenas alguns grupos, criando uma divisão social, já que nem toda forma de pobreza era amparada da mesma maneira.
Assim, o Cemitério Piedade surgiu dentro desse contexto de modernização e transformações sociais, marcando o fim da prática tradicional de enterrar os mortos dentro das igrejas e a adaptação da cidade aos novos tempos.

